Páginas

sábado, 5 de setembro de 2009

Crônica da Semana / Feira nos ônibus

Presença de vendedores ambulantes cresce a cada dia no transporte coletivo em Salvador

Bala, chocolate, chiclete, picolé, água mineral, H2O, incenso, tabuada, gramática, agulha de costura à mão. Onde você imagina que encontra essa variedade de produtos? Se pensou numa feira ou em alguma praça de Salvador, errou. O espaço de venda de tanta coisa - não ao mesmo tempo, claro - é o estreito corredor dos ônibus urbanos que circulam pela cidade.

"Desculpe interrromper o silêncio da viagem". Repetida a frase inicial, logo aparecem as ofertas. "Bala de gengibre, pastilha de menta... Tá na promoção. Aqui é mais barato que no supermercado". Na onda do desemprego, a presença de ambulantes no transporte coletivo se tornou crescente nos últimos anos.

Às vezes acontece de três ou mais entrarem no mesmo veículo num percurso de meia hora. Desce um, sobe outro, como se fosse um ritual. A maior parte usa colete exibindo a marca da União de Baleiros da Bahia (Unibal), entidade criada em 2005.

Nem todos os usuários se queixam, mas há quem reclame do barulho. Alguns ambulantes falam alto e ainda assoviam, tirando a tranquilidade dos passageiros. Após um dia inteiro de trabalho, muitos retornam para casa tirando uma soneca no meio do caminho e, de repente, acordam com a voz dos vendedores.

Nada contra ao trabalho dos ambulantes. Eles tem direito ao espaço no mercado profssional. Discute-se aqui o local inadequado para este tipo de atividade. Afinal, os usuários pagam pelo transporte. Então merecem o mínimo de paz no vaivém por Salvador. Se a segurança e a condição dos veículos não são das melhores, que ao menos se respeite o silêncio nos ônibus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário